terça-feira, 8 de junho de 2010

Escalada no pico das Agulhas Negras

Por meio do mountain bike acabei conhecendo a Márcia Stage e o Jerônimo , um casal radical , que além de serem bons ciclistas com várias subidas ao pódio , também são alpinistas e guias credenciados do parque nacional de itatiaia . Fiquei sabendo que fariam uma escalada ao pico das agulhas negras , não perdi tempo e tratei de fazer logo minha reserva . Valeu a pena , foi bom demais, e tentarei, na medida do possível, descrever em poucas linhas (...rss...rss...rss...) como foi nossa aventura. Nos reunimos as 5:30 da manhã em frente ao bob´s , choveu no dia anterior , mas a madrugada, apesar de muito fria , estava estrelada, sinal de que teríamos um belo dia de sol, o que de fato aconteceu . Chegamos no registro e assim que saimos do ônibus tivemos o primeiro contato com o frio intenso que fazia no alto da serra. Mas a galera era muito animada , não se deixaram abater pelo frio congelante . Ficamos pouquíssimo tempo no registro, visto que o bar do seu Miguel estava fechado, tiramos algumas fotos, e logo a seguir continuamos a viagem rumo a portaria do parque. Chegamos na portaria onde fizemos as formalidades de praxe, ali pudemos constatar que o frio era ainda mais intenso do que pensávamos , pois todas as poças de água estavam congeladas e por todo lado se viam sinais de gelo. Tiramos algumas fotos segurando pedaços de gelo. Da portaria seguimos,ainda de ônibus, para o abrigo rebouças , ponto de início de nossa escalaminhada , mas antes fizemos uma série de alongamentos com a Márcia, foi ótimo pois a escalada seria cansativa e com certeza exigiria muito de nossos músculos. Entramos na trilha e seguimos para o pico. O visual estava lindíssimo, e para cada lado que olhávamos víamos uma montanha mais bonita que a outra O pico das agulhas negras propriamente dito, é bonito demais, e em seu visual se destacam as muitas pontas ( Itatiaia : em tupi guarani significa "pedra cheia de pontas" ) e canaletas no meio das pedras , e de longe tem se a impressão que alguns dos enormes rochedos estão "escorrendo ". No começo foi bem tranquilo , mas pouco tempo depois a trilha já se tornou meio lamacenta o que dificultou um pouco nossa jornada, em alguns trechos também tivemos que passar em meio ao mato alto. Logo já começamos a subir pelas pedras, tudo muito legal e com um belo visual , mas a partir dali já tivemos que subir com cuidados redobrados pois em muitos trechos haviam placas de gelo, o que deixava as pedras escorregadias. O gelo foi uma constante em nossa escalada, sempre o víamos em algumas canaletas e também nas concavidades das pedras, e em algumas áreas mais sombreadas chegavam a formar algumas belas estalactites (vide fotos ). A medida que avançávamos o percurso se tornava cada vez mais íngreme , ali percebemos a importância de um calçado apropriado e com bastante aderência. Mas apesar das dificuldades e obstáculos cada vez mais crescentes , todos seguiram em frente com muita garra e determinação. Tivemos que nos superar, enfrentar os temores e continuar subindo, mas não foi nada fácil , em determinados momentos dava até medo de olhar para baixo, e tristeza de olhar para cima...rss...rss...rss... Mas aos poucos, devagar e sempre, fomos galgando as alturas, Vencemos, por meio de cordas e com a ajuda dos guias , os paredões mais íngremes. Passamos por túneis e buracos , em certos trechos tivemos que fazer" contorcionismo " para conseguir passar entre as fendas e frestas das rochas. A escalada foi bem cansativa e cascuda , mas o grupo era muito bom, todos muito legais , amigos e solidários o que com certeza ajudou a amenizar as agruras do percurso. No trecho final da escalada tudo foi ficando mais difícil , mas as palavras de incentivo dos guias , a visão do pico mais acima, e da beleza da região ao nosso redor, nos dava força e motivação para seguirmos em frente, destaque para nosso amigo Marcello Maia ,que mesmo sem um calçado apropriado , conseguiu alcançar o cume. Ao longo de nossa escalada ouvimos um grito muito forte, na hora ficamos até preocupados de ter acontecido alguma coisa , mas felizmente não foi nada, era apenas a nossa amiga , a Bebel , que estava" um pouco " assustada. Seus gritos se repetiram muitas e muitas vezes , e a medida que foi chegando próximo ao cume se tornaram mais intensos e frequentes, mas ela foi extremamente corajosa e determinada, se superou e acabou por chegar no pico , onde finalmente pode relaxar e suspirar aliviada , e inclusive tirou algumas belas fotos junto aos amigos. Mas é isso aí , não havia jeito, de vez em quando, em meio aqueles abismos e precipícios, o medo chegava , dava até um friozinho na espinha, dava mesmo vontade de gritar e sair correndo...opss...foi mal...fui infeliz na minha colocação...digo: só gritar , sem dar um passo, sequer, sem sair do lugar, correr lá em cima é impossível . Já próximo ao cume passamos por um túnel sob as pedras, nesse local sombrio a temperatura era muito baixa, o túnel de alguma maneira canaliza o vento frio e congela toda a água depositada nas concavidades das rochas (vide fotos ). Subimos , subimos e subimos , vencemos por meio de cordas mais um paredão, a seguir andamos por uma canaleta na lateral da rocha e após isso finalmente chegamos no famoso pico das agulhas negras, não foi nada fácil chegar ali, para muitos de nós foi uma verdadeira superação , mas a determinação de cada um aliados a competência , boa vontade e alegria de nossos guias (Jerônimo , Márcia e Marco Aurélio ) que passaram muita tranquildade e confiança para todos, fizeram que tudo se tornasse possível. No cume vimos que todos nossos esforços valeram,e muito, a pena, o local é lindo demais , difícil descrever , as rochas tem várias formas diferentes e interessantes e se tornam ainda mais bonitas de acordo com o luz e sombra que incidem sobre elas ao longo do dia. A visão que se tem de toda a região e do vale do paraíba em especial , é deslumbrante . Tiramos a tradicional foto com a bandeira do Brasil e alguns (pouquíssimos ) também com a bandeira do fluminense. Ficamos lá em cima um bom tempo, apreciando tudo , desfrutando de cada momento . Bom demais estar no alto da montanha, que visual , que paz , que tranquilidade, talvez por estar bem pertinho do céu esse lugar seja tão especial. Lembraremos sempre com muito carinho desses bons momentos ,passados na companhia dos amigos, nas agulhas negras, mas retornar era preciso, foi tudo bem , descemos com muito cuidado e atenção. Logo no começo da descida nosso amigo Emygdio nos pregou uma peça, e acenou para nós de dentro de uma fenda entre as rochas, parecia até um tatú... levamos um susto e pensamos que ele tinha mesmo caído lá e o pior é´que ele alegou que estava entalado no buraco....e o que é pior ainda : alguns acreditaram e correram e tentaram desentalá-lo l...rss...rss...rss Apesar da força da gravidade atuar a favor e ser menos cansativo , descer também não é fácil. Ahhh....já ia me esquecendo...a Bebel desceu quieta,pois estava com muita dor de cabeça. Pouco tempo depois de sairmos dás pedras o nosso amigo Emygdio , torceu o pé, mas foi prontamente socorrido pelo Candiotto que lhe aplicou gel de arnica, o gel atenuou a dor, e ele foi, com o auxílio dos amigos e de uma bengala improvisada, caminhando até o abrigo. O grupo que estava auxiliando o Emygdio ( Jorge Nogueira , Jerônimo , Márcia , Renato e Fábio ) , chegou no abrigo de noite e felizmente puderam contar com a ajuda , solidariedade e boa vontade do amigo Herrold (acho que é assim que se escreve), que levou todos ( todos mesmo, tinha gente até no teto do carro ) até a portaria do parque, onde estava nosso ônibus. A land rover de nosso amigo , caiu do céu pois naquela altura dos acontecimentos a noite ,apesar de muito bonita e estreladaj, estava extremamente fria e a distãncia do abrigo rebouças até a portaria era considerável , principalmente para uma pessoa com o pé torcido. Valeu Herrold !!! Muito obrigado !!! Nunca pensamos que fosse tão bom andar de land rover !!! ...rss...rss...rss... Enbarcamos no ônibus e seguimos para o registro, nossa intenção era parar no bar do seu Miguel , mas infelizmente , de novo encontramos o bar fechado. Eu fiquei um pouco decepcionado pois estava com muita vontade de comer um pastel e tomar uma pinga com mel, mas felizmente a feirinha estava aberta e ali acabei tomando pinga com cocada ( Obs. não sou pinguço , mas o frio estava de rachar , 4 graus ). Alguns amigos comeram pamonhas, outros milho assado, outros nem sairam do ônibus por medo do frio. Como nosso amigo Emygdio estava no perrengue, ganhou dos amigos uma dose, para lá de generosa ,da famosa pinga com mel. A dose era tão generosa que vários amigos acabaram dando uma bicada e mesmo assim o copo não esvaziou de todo. Seguimos para Resende, e como sempre acontece a pinga com mel logo fez efeito : o Emygdio apresentou melhoras significativas e os demais ficaram bem mais desinibidos. Falamos algumas bobagens e demos muitas risadas, foi legal nos distraimos e nem vimos o tempo passar. Chegamos em Resende , nos despedimos dos amigos e cada um seguiu seu destino. Valeu amigos !!! Foi muito legal e divertido escalar com vocês !!!

4 comentários:

Rogério Borato disse...

O visual é sensacional,vale qualquer sacrificio para chegar ao topo.abraçççoosssss

Michel Schanuel Girardi disse...

Gostaria muito de ter ido Jorge, te agradeço o convite mas infelizmente dessa vez não deu :(

Agora só me resta babar nas fotos... Deram sorte, pegaram um dia perfeito!

Abraço!

Paul Petch disse...

WOW! what an awesome day! great photos!

Eduardo Pires disse...

Opa, bacana o Blog. Sou do Clube Adventure e vou colocar o link de vocês no meu Blog.

eduardopiress.blogspot.com

Abrs